Num só corpo

Por Teresa Vilhena


Existir, na ordem do curso harmonioso da natureza, é o estado inato e orgânico de qualquer Ser biológico, na qual se inclui o Ser Humano.


Neste estado, existe bem-estar, saúde e o Ser tem a capacidade de manter a sua homeostasia, ou seja, de manter em equilíbrio todas as suas funções e a própria constituição química dos seus tecidos, mesmo em situações e contextos de alteração e mudança do meio externo.


Num estado orgânico de fluxo, mesmo face a alterações do ambiente, o Ser tem a habilidade e as competências para responder a estas alterações e ajustar-se assim às mesmas, mantendo o seu meio (ambiente) interno. O ser é responsável (habilidade para responder) pela sua regulação e homeostasia.


No Ser Humano, esta homeostasia é afeta e interdependente das suas várias dimensões: físico-mental, emocional e espiritual.


Focando no Ser Humano como objecto de reflexão deste artigo, a dimensão corporal e orgânica está íntima e diretamente conectada à dimensão do corpo mental e, consequentemente, emocional, do Ser.


O corpo é um fidedigno tradutor de dinâmicas que existem internamente ao nível das diferentes dimensões do Ser, assim sendo, um corpo em equilíbrio, saudável e em perfeita homeostasia é consequência do equilíbrio a nível mental e emocional. Em contrapartida, a doença é uma simples tradução de conflitos e desregulações dessas mesmas dimensões menos tangíveis e observáveis a “olho nu”.

O corpo é assim um campo de observação palpável e tangível da experiência humana, em todas as suas múltiplas dimensões, um campo que está ao alcance da dimensão dos cinco sentidos e cria, através da dimensão destes, espaço para um portal de observação e experiência de nós próprios, a níveis e a dimensões diferentes, do domínio da percepção exclusiva ao domínio sensorial.


O corpo expõe dinâmicas, facetas e diálogos da experiência humana, criando espaço para a consciência de dimensões da psique humana (individual, geracional e coletiva) nem sempre acessíveis à observação empírica.


Na ótica da vivência humana, o corpo traz um novo significado à regulação homeostática da vida de cada um de nós, abrindo espaço e lugar à habilidade de responder à vida, a um nível mais rico que a mera capacidade orgânica de responder ao meio.


Uma vivência consciente da realidade viva e dinâmica do corpo físico é responsabilidade de um Ser Humano consciente das suas necessidades, pulsões e desejos da valência mais animalesca do corpo, desperto para a consciência dos seus limites, observador da sua presença e experiência humana no, e através, do corpo, desperto para a sua sabedoria, integrado num propósito maior e transcendental, que tem na sua base de vida o corpo físico.




Fotografia: Ady April


22 visualizações

Posts recentes

Ver tudo
  • Facebook
  • Instagram

+351 912 610 107

2020 © SUPERPOWER. Todos os direitos reservados.